Ordem dos Frades Menores Conventuais

Artigos, Destaques › 26/03/2020

O MENINO DAS TRÊS PALHAS

Na Província de Saga, no interior do Japão, conta-se a seguinte estória:

 

Naquele tempo, no interior da Província de Saga, vivia um velho casal.

Teciam a mão sandálias de palha para vender. O que ganhavam era pouco, dava

apenas para viver.

O casal tinha um filho menor. O filho era obediente. A tudo dizia sim, sim,

sim, sem murmurar. Todos os dias a mãe dizia ao marido:

– Ah, se ao menos nosso filho pudesse levar uma vida melhor. Mas ele é um

idiota. A tudo obedece, sem objeção. Não tem nenhuma iniciativa.

O pai nada dizia, continuava trabalhando. Um dia a mãe disse ao marido:

– Vamos testar nosso filho, para que sinta a necessidade de iniciativa.

Vamos testar nosso filho. Vamos dar-lhe uma tarefa impossível para ver se

reage e diz “não” a nossa ordem.

O pai nada respondeu. A mãe chamou o filho e lhe entregou três palhas e

disse-lhe:

– Vai trocar essas palhas com três peças de seda preciosa de Kito.

O filho disse sim e saiu de casa. A caminho a beira de um riacho, uma

mulher lavava cebolas. Disse a mulher:

– Que tens na mão?

– Três palhas respondeu o menino.

– Quer me dar as palhas para amarrar as cebolas em feixe?

– É que as palhas são preciosas, disse o menino. Elas valem três peças de

seda.

Depois de muito negociar, o menino trocou as palhas com três cebolas e saiu

cantarolando pela estrada a fora.

A caminho, à entrada de um alberg, uma mulher lhe perguntou:

– Não me queres dar estas cebolas? Preciso delas para dar gosto a salada de

peixes.

O menino lhe respondeu:

– É que as cebolas são preciosas. Valem três peças de seda.

Depois de muito negociar, o menino recebeu três garrafas de molho de soja

em troca das cebolas.

Um pouco adiante, ao passar diante de uma rica moradia, correu-lhe ao

encontro o senhor da casa e pediu ao menino que lhe vendesse o molho.

– Preciso com urgência o molho. Recebi visita inesperada e não tenho mais

molho em casa.

E o menino disse;

– É que o molho é muito precioso. Vendê-lo não posso. Só se me deres algo

equivalente.

O homem era fabricante de espadas. Em troca do molho lhe deu uma espada. O

menino pendurou a espada ao cinto e seguiu viagem.

Na cercania de Kito, porém a estrada se encheu de cavaleiros. Era o séquito

do príncipe de Kito que por ali passava numa suntuosa carruagem. Os

pedestres se postavam a beira da estrada, dando passagem ao cortejo. De

repente o olhar do príncipe caiu sobre o olhar do menino camponês, o único

que trazia espada ao cinto. Mandou chamá-lo e perguntou:

– Como carregas uma espada, tu que és apenas um camponês?

O menino respondeu:

– É que a espada vale três palhas que são garantia de três peças de seda de

Kito.

Disse então o príncipe

– E o que significa isso?

E o menino contou-lhe toda a estória de sua viagem!

O príncipe admirado disse ao menino camponês:

– Não é bom que uses a espada. Mas é bom receber pela espada que vale três

palhas.

E pediu a espada. Em troca deu-lhe três peças de seda preciosa de sua

tecelagem real. O menino retornou a casa paterna.

Em casa, o pai nada disse. Apenas continuou a tecer as sandálias de palha.

 

Reflexão

Veja espírito que aparece na garra do menino! Como o menino da lenda, também nós devemos estar numa constante operabilidade e confronto com o mundo e com a inspiração originária, num constante desfazer-se, vender, dar e negociar cebolas, molho, espada, palhas, para chegar ao tesouro da seda de Kioto.

A prática franciscana, como transparece no menino da lenda e em Francisco, ocupa-se sempre com uma única coisa, refazendo-a sempre de novo e de muitas e variadas formas.

Além disso, a história e a vida de Francisco basearam-se desde a sua juventude em PROPÓSITOS.

Pensando nisso, nós podemos partir para dois exercícios que poderão nos ajudar:

QUESTIONAMENTOS:

Você tem agarrado o muito, ou o pouco, que possuí, assim como o menino da lenda agarrou cada vez mais as palhas, as cebolas, o molho, ou como Francisco agarrou, passo a passo, tudo o que recebeu desde sua infância?

Quais foram os propósitos que você traçou durante a sua vida? Quais você persevera, quais você deixou de lado, quais precisam ser retomados e quais criados? Com essas respostas crie uma tabela que te ajuda a se orientar.

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