Itinerário Vocacional do Postulante Fernando Júnior

Vocação, antes de qualquer outra coisa é um chamamento, não está relacionado a aptidões, capacidade e gostos. É a relação entre aquele que chama, com o que é chamado. Primeiramente é preciso ter bem claro que Deus nos elegeu, pensou e amou, e assim nos chamou  para a vida, deu-nos a existência no seio de uma família, para termos o primeiro contato com o amor fraterno. Nasci em uma família simples e com pouca prática e vivência religiosa, mas fui desejado e esperado por meus pais e meu irmão mais velho com todo amor e carinho familiar que poderia esperar.

Em 27 de novembro de 1988, recebi o Sacramento do Batismo na Igreja Matriz da Paróquia de São Sebastião. E, em 2002, fui convidado por minha prima Marilza a participar junto dela de um encontro da catequese para jovens e adultos na Capela de São Francisco de Assis em meu bairro, mas aceitei o convite sem muito entusiasmo, apenas para não desapontá-la. Ao chegar, fui carinhosamente recebido pela catequista, Isabel que de forma doce e bela me ensinou a dar os primeiros passos na caminhada da fé e certamente em minha vocação, pois cada encontro eram realmente momentos de intimidade com Deus. Lembro-me até hoje dos momentos de oração, sempre com cânticos vocacionais, em especial “Israel eis o que diz o Senhor”.  Lembro-me que desde o início chamava-me sempre de “Frei Junior ou Frei Nando”. Fiz minha Primeira Eucaristia em 04 de Outubro de 2003 na Solenidade de São Francisco, padroeiro da minha comunidade de origem.

Depois fui catequista, participei de grupo jovem e tive a graça de conviver com a coordenadora do grupo, a Verônica, que me ajudou a discernir a minha vocação. Foi na Comunidade que minha vocação floresceu, ainda que na época eu não tivesse isso tão claro. Hoje percebo melhor os vestígios do chamado de Deus ao longo da minha caminhada, pessoas que contribuíram para que eu escutasse a voz do senhor que ardia em meu coração. Neste ano em que celebramos com toda a Igreja no Brasil o ano do laicato eu reflito sobre o papel importantíssimo que tiveram em minha caminhada desde o convite a simples encontro de catequese, como a forma criativa, acolhedora e profunda que se deram os encontros, bem como a ação pastoral a coordenação de um grupo de jovens. Em 2013, em preparação para a Jornada Mundial da Juventude, que comecei a pensar mais seriamente em ingressar para a vida religiosa. Movido por esse desejo, procurei o Pároco responsável da época e pedi uma carta de recomendação para apresentar no seminário diocesano e foi nessa conversa que fui apresentado à animação vocacional franciscana, por indicação e incentivo a vivenciar os encontros vocacionais e assim o fiz. Participei dos encontros e senti em meu coração que aquele era o meu lugar.

Depois de toda preparação, em 2015, ingressei na Ordem dos Frades Menores Conventuais, como aspirante, na cidade de Paraíba do Sul, local este cuja Paróquia é de responsabilidade dos Frades, e lá dei os meus primeiros passos para a vivência fraternal e comunitária. Hoje, já estou caminhando para o meu terceiro ano no Postulantado no Convento e Casa de formação São Boaventura em Petrópolis.

Para mim, a vocação continua sendo e sempre será um mistério, pois é um desejo constante que cresce no coração sem que haja palavras e ações suficientes para expressá-la, uma inquietude e uma chama que arde constantemente. São Agostinho conseguiu descrever muito bem e com ele eu concluo: “Fizeste-me Senhor para Ti e inquieto está o meu coração enquanto não repousa em Ti”.

 

Postulante: Fernando Júnior

 

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