Artigos, Destaques, Notícias › 19/09/2018

Frei Martinho, um autêntico amante da Imaculada e modelo de Frade Menor Conventual

Frei Martinho Maria de Porres Ward, OFM.
Conv., nasceu em Charleston, Diocese de Boston,
estado de Massachusetts, Estados Unidos da
América, em 20 de março de 1918, seu nome civil
era Mathias De Witt Ward. Filho de William Henry
Ward e Clara Irby, progenitores de uma grande
família formada pelos filhos: William, Ernest,
Harry, Hazel, Maurice, Beatriz, Earl, Gladep, Viola,
Máxime, Gloria e Dolores. Metodista, converteu-se
ao catolicismo quando tinha 18 anos de idade. Fez
sua Primeira Comunhão aos 19 anos. Até o presente
momento, pouco se sabe sobre sua família
sanguínea, pelo que parece, seu pai foi o último de
seus genitores a falecer de problemas cardíacos.
Antes de ingressar na Ordem dos Frades
Menores conventuais, participou nas atividades religiosas de várias paróquias até que,
em 1942, com 24 anos, tocado pela graça de Deus, decidiu ser sacerdote e, entrou
para o seminário dos Frades Menores Conventuais, em New York em Michigan.
Ingressou no Noviciado em 1947, emitindo sua Profissão Simples a 19 de
março de 1948, em Cohoes; logo após, iniciou seus estudos Filosóficos e teológicos e
se destacou no aprendizado das línguas clássicas, o Latim e o Grego e, em 1951,
professou seus Votos Solenes na Província: Imaculatae Conceptionis Beatae Mariae
Virginis, na Ordem dos Frades Menores Conventuais, em Rensselaer, EUA.
Ordenado Sacerdote, em 04 de junho de 1955, Albany, N.Y., foi enviado neste
mesmo ano como missionário para o Brasil – Rio de Janeiro e, em 1956 chega em
Andrelândia – MG onde passa a lecionar (Latim, Grego e Música) no colégio São
Boaventura (colégio só para rapazes), dirigido pelos Frades Menores Conventuais;
nesta mesma época, passa também a ajudar as Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora
como professor em seu Colégio Normal (só para Garotas).
1918 – 1999

Professor bom e sensível às necessidades acadêmicas de seus
alunos

Frei Martinho em sua trajetória magisterial, rapidamente se destacou dos seus
contemporâneos, frades americanos, justamente pelo seu temperamento solar, alegre e
socialmente próximo, era um professor apaixonado; durante as aulas buscava ensinar
usando muitas imagens e comparações, revolucionando o modo de ensinar da época,
envolvendo os alunos no conteúdo didático com muitas brincadeiras, piadas,
trocadilhos e jogos de palavras. Às vezes falava de si mesmo, de suas gafes
cometidas também no aprendizado da Língua Portuguesa, de suas descobertas, gostos
e preferências.
Por ocasião de datas importantes e festivas (aniversário, onomástico ou
alguma solenidade religiosa), quase sempre envolvia seus alunos oferecendo, ele
mesmo, algo para motivar e alegrar a rotina dos estudantes; um chiclete, um
chocolate, um terço ou mesmo um simples cartão reciclado vindo dos EUA, o que
para a época era uma bela novidade. Todo este espírito lúdico, didático e próximo,
não o eximia de ser exigente e duro, cobrando resultados concretos de seus alunos,
sobretudo durante os bem elaborados exames. Mesmo sendo sério e severo quando
necessário, não perdia nunca seu senso de humor, repetindo frequentemente a seus
alunos:
“- Vocês são bonzinhos e santos!” e acrescentava com uma bela risada: “-
Quando dormem!!!” E saia rindo prazerosamente pelos corredores das escolas.
Por vir para o Brasil já Sacerdote e ser integrado diretamente no Apostolado
do Magistério, sobretudo no inicio, teve muitas dificuldades em nível de
comunicação. Um fato curioso narrado por ele foi que; um dia estando no Convento
São Francisco do Rio Comprido; teve que atender a um bem feitor, o qual queria
fazer uma doação aos frades; pelo fato de estar sozinho e de não entender bem o
Português, não pode interagir com o visitante, fazendo-o retornar no dia seguinte para
falar diretamente com o Guardião.

Quando o seu Superior teve ciência do fato, irritado, proibiu Frei Martinho
terminantemente de se expressar em inglês, fazendo-o se esforçar ainda mais para
aprender o idioma português.
Embora tivesse esta dificuldade inicial, sua descontração e simpatia no trato
com as pessoas o ajudou a superar rapidamente as dificuldades que a Língua
Portuguesa lhe empunha, estabelecendo a principio, um tipo de comunicação todo
especial, afetiva e efetiva, um tipo de “metalinguagem”, sobretudo com seus alunos e
com as pessoas mais simples.
Estava sempre disposto a tirar uma lição ou aprender algo novo mesmo
através de um erro, era encantado pela cultura interiorana (mineira e goiana), de
modo particular, se referia aos outros chamando-os de: “compadres e comadres”,
“amigo e amiga”, “amigão”, termos muito afetivos, que expressava grande
proximidade social.

Sacerdote piedoso e devotado missionário:

Como sacerdote exerceu o cargo de Capelão das Irmãs Sacramentinas de
Nossa Senhora, tanto na Casa de Misericórdia como no Colégio Nossa Senhora do
Santíssimo Sacramento, assistindo espiritualmente os enfermos, os alunos e às irmãs.
Como Capelão das Irmãs da Santa Casa de Misericórdia, segundo o testemunho de
alguns paroquianos, ele mesmo batia os sinos da Capela bem cedo por volta das 5hs
da manhã. Frei Martinho era frade muito alegre, caridoso e humilde; embora tivesse
uma vida tipicamente conventual, ele vivia à disposição do povo andrelandense,
principalmente dos pobres. Com frequência e, com a maior boa vontade, ele era
solicito em celebrar as exéquias, casamentos e em ouvir os penitentes em suas
confissões. Era também muito caridoso e com os poucos recursos que recebia de seus
amigos e bem feitores, ajudava inúmeras pessoas, principalmente provendo alimento
para algumas famílias pobres que viviam na periferia da cidade. Quando saia de seu
Convento por alguma necessidade ou celebração nas inúmeras capelas, sempre levava
consigo nos bolsos do hábito franciscano algo para oferecer as pessoas que lhe
interpelava, sempre alegrava as pessoas com uma pequena lembrança, uma medalha,
um crucifixo, uma bala, ou simplesmente um cartão reciclado, vindo dos Estados

Unidos. E de modo especial oferecia bênçãos, orações e recordava as inúmeras
intenções do povo, principalmente os doentes, nas Santas Missas que celebrava.
Em 1967, foi designado como Vigário Paroquial da Paróquia São Sebastião,
junto ao Convento de mesmo nome, em Araruama, onde permaneceu por cinco anos.
O primeiro Custodio, Frei Otto John Fouser, em 1972 o envia como membro
de família para o Convento São Sebastião de Goiatuba – GO, onde passou a exerce a
função de Professor de Inglês e Vigário Paroquial, função que exercerá por 12 anos.
Em sua vida pastoral, Frei Martinho nunca fez questão de Assumir cargos de
honra e autoridade, sempre preferiu estar sob a autoridade de Guardiães e Párocos,
exercendo com modéstia a função de Capelão, Professor e Diretor Espiritual nas
Casas de Formação e Hospitais. Seu testemunho de fé foi evidente na vivencia das
virtudes de simplicidade, alegria, acolhimento aos mais pobres e humildes e,
sobretudo, na fidelidade à Vida Religiosa Franciscana e Sacerdotal. Sua dimensão
Eucarística era latente, devido a sua voz bem impostada e seu preparo musical. Frei
Martinho sempre era requisitado durante o Tríduo Pascal para entoar o “Precônio
Pascal do Sábado Santo”, elevando os espíritos à suavidade celeste da Sagrada
Liturgia, fazendo da fé na Ressurreição o seu peregrinar na vida.
Em 1971, inaugura-se a Casa de Formação de Andrelândia, que o povo e, por
quê não dizer, também os frades aprenderam a chamar de “Seminário”, conforme o
costume da época; esta nova localidade terá um papel muito importante na vida e
ministério sacerdotal de Frei Martinho anos mais tarde.
No dia 26 de maio de 1977, ainda vivendo em Goiatuba, Frei Martinho faz seu
pedido ao Definitório Custodial de então, para afiliar-se “ad perpetuum” na mesma
Custódia Imaculada Conceição, a qual ajudara a erigir com sua presença significativa
desde sua chegada ao Brasil.
Era uma alma bondosa e humilde, um fato curioso narrado por Dom Frei Elias
a respeito de Frei Martinho, e que exemplifica a sua característica humildade, ocorreu
provavelmente entre os anos de 1970 a 1982, tempo em que Frei Elias James
Manning viveu no Rio de Janeiro, exercendo respectivamente as funções de Vigário
Paroquial, Pároco e Custódio Provincial. Segundo o mesmo: Em uma certa ocasião,
durante uma visita de Frei Martinho ao Convento São Francisco de Assis – Rio de
Janeiro, estava Frei Elias concentrado preparando uma reflexão, um texto homilético
ou uma catequese, quando Frei Martinho resolveu fazer uma de suas costumeiras
caminhadas ao longo do corredor do convento. Como Frei Matinho caminhava

arrastando as sandálias devido a sua idade, este seu gesto começou a causar uma forte
irritação em Frei Elias, tirando-lhe a concentração em sua reflexão; num dado
momento, não se contendo mais, Frei Elias sai de seu quarto esbravejando com Frei
Martinho devido ao barulho molesto.
Para a surpresa e admiração de Frei Elias, Frei Martinho ao ser repreendido
pelo rumor involuntário; não argumenta, pede perdão e humildemente, em silencio,
retira-se, recolhendo-se em seu quarto.

O Retorno ao Seminário de Andrelândia como Diretor
Espiritual.

Em 1985, o então Custódio Provincial, Frei André M. Lambert, transfere Frei
Martinho de Goiatuba, para o Seminário de Andrelândia, onde exercerá o encargo de
Diretor Espiritual e Professor de língua Inglesa e Latina.
Como Diretor Espiritual, sobressaiu-se de modo especial pelo serviço prestado
à Formação Inicial; tendo a maioria de nossos frades brasileiros atuais, passado pela
sua orientação. Seu exemplo discreto sempre se sobressaiu pelo zelo com o qual
buscava acolher e orientar a cada um dos formandos. Homem piedoso, celebrava
diariamente a Santa Eucaristia; rezava igualmente o Rosário completo, sendo um
Terço pela manhã bem cedo, quando se levantava por volta das 05h; outro igualmente
a tarde, às 15h, e o último após o jantar, quando costumava caminhar pelos corredores
do Seminário.
Frei Martinho possuía o espírito lúdico de “criança”, o quê o fazia se alegrar e
se divertir com coisas muito simples: uma anedota, geralmente contada no final das
celebrações.
Possuía um amigo em especial, José Gorgulho Pereira (popularmente
conhecido como Zizo), este se incumbia de coletar as anedotas e pequenas historietas
nas revistas católicas de então e passar-lhes ao Frei Martinho que criativamente lhes
adaptava segundo as ocasiões e lugares, fazendo referencia geralmente aos
paroquianos.
Também, gostava de assustar as pessoas, “latindo imitando cachorro”
assustando as piedosas senhoras quando caminhavam desatentamente pelas ruas da  cidade.

Este seu espírito lúdico o fazia se identificar muito com os jovens
seminaristas e com os leigos, sobretudo, as pessoas simples da cidade que o tinham
como a um “Compadre”, como ele mesmo gostava de se autorreferir. Sempre
disponível, nunca recusava ouvir um penitente que lhe chegasse à procura da
Reconciliação. Sempre arranjava um tempinho antes ou após as celebrações das
Santas Missas, nas Igrejas (Matriz, Rosário, São Benedito ou nas Capelas do hospital
e Colégio Sacramentino). Sempre tinha uma palavra amiga, uma benção ou mesmo
um sorriso discreto para apaziguar os corações atribulados.
Eu, Frei Ronaldo Gomes da Silva, dentre tantos fatos curiosos, recordo-me
que em uma ocasião quando estava responsável por fazer o café da manhã para a
comunidade do Seminário, durante esta semana, deveria levantar-me cedo, por volta
das 05h:30min, para organizar tudo na cozinha e refeitório. A esta hora, Frei
Martinho já se encontrava em sua costumeira caminhada rezando o Terço do lado de
fora da cozinha do Seminário, antes da Oração das Laudes. Eu despercebidamente
preparava o café do lado de dentro, sem me atentar para o que estava para acontecer.
Quando lanço um olhar mais atento para o lado de fora da janela, deparo-me com
uma figura no mínimo medonha, Frei Martinho havia colocado o capús de seu hábito
sobre a cabeça e fazia uma carreta espantosa; tomado pelo susto, solto um grito e
deixo cair algumas louças que estava lavando. Frei Martinho, inicialmente, solta uma
grande gargalhada e entra na cozinha para ver o estrago feito.
Após o susto, fui tomado de grande irritação devido o ocorrido, Frei Martinho
notando o meu descontentamento, vem e pede-me desculpas pelo susto que me havia
dado; porém, não conseguia conter seu riso. Eu, perante a simplicidade e alegria
contagiante de Frei Martinho, também coloquei-me a rir e continuei o meu serviço.
Mais tarde, fico sabendo que Frei Martinho havia reportado todo o ocorrido ao
Reitor de então, Frei Camilo Lellis de Aguiar, e igualmente assumido a
responsabilidade pelos objetos quebrados, o que lhe custou uma séria reprimenda por
parte do mesmo Formador.
Este e outros fatos mostram-nos como o espírito maroto, porém responsável e
justo de Frei Martinho, tornava a disciplina e a dura rotina da Casa de Formação mais
agradável e mais leve; após esta experiência, sempre que tivesse de caminhar fora de
hora e sozinho pelos corredores do Seminário, colocava-me em estado de alerta, pois
de qualquer ângulo poderia surgir Frei Martinho tentando pregar-me uma peça.

Embora tenha tido este lado lúdico, Frei Martinho sabia exigir de nós
formandos seriedade e afinco nas tarefas do dia à dia. Durante as confissões que
frequentemente realizávamos e que pacientemente nos ouvia, sempre nos convidava a
ver a vida e a nossa própria Formação com um olhar mais profundo, nos contava suas
experiências e dificuldades e, sempre nos encorajava a sermos fiéis na busca da
realização de nossa própria vocação, dizia:
– Busquem viver e fazer as coisas com consciência e amor a Deus e ao
Próximo, saibam que Deus os chama a darem o melhor de vocês. Vocês ainda estão
discernindo suas vocações, mas Deus pede a vocês que vivam um dia de cada vez,
sem ansiedade para com o futuro. “Tudo acontecerá no Tempo de Deus”. Por isso,
preparem-se o melhor possível sendo transparentes e fiéis à vocação franciscana. E
no final, concluía com a seguinte admoestação: “- O estudo e o Amor a Deus será o
tesouro que vocês poderão levar para toda à vida e o qual ninguém poderá tirar de
vocês”. Com simplicidade, mas com muito realismo Frei Martinho buscava nos
inspirar em nosso início vocacional.
Seus ensinamentos eram acolhidos e partilhados não somente por nós, mas
também pelo povo Andrelandense, o qual em grande número o buscava para o
Aconselhamento Espiritual e, para a Confissão. Mas, sua Espiritualidade transparecia
de forma mais evidente quando o mesmo celebrava a Santa Eucaristia, da qual
geralmente cantava com voz melodiosa as partes fixas.
Segundo os testemunhos de quem o acompanhou e participou de suas
inúmeras celebrações Eucarísticas; no solene momento após a Consagração,
visualizando, o Pão e o Vinho transubstanciados no Corpo e no Sangue de Cristo,
Frei Martinho exclamava com natural adoração a seguinte jaculatória franciscana: “-
Meu Deus e meu tudo!”. A este amor ao Cristo Eucarístico, acrescentamos sua
devoção à Virgem Santíssima, além da oração diária do Santo Rosário, entoava e
ensinava prazerosamente aos seminaristas as antífonas Marianas. Mesmo pelos
corredores do Seminário, não passava diante de uma imagem sacra da Beatíssima
Virgem sem se persignar reverentemente. Isto aos nossos olhos de neófitos
postulantes, por vezes parecia um excesso escrúpulos; o que com o tempo
aprendemos a valorizar como um gesto de amor e veneração.

 

Grande promotor e animador das vocações

Frei Martinho inúmeras vezes auxiliava a Animação Vocacional durante os
Encontros Vocacionais, nestas ocasiões atraia e elevava a atenção de todos contando
sua história vocacional. Segundo alguns testemunhos de quem o escutou; Frei
Martinho durante seu percurso vocacional teve que superar inúmeras dificuldades e
provações; primeiramente o preconceito por ser de origem afro-americana, a pobreza
de sua família, que não podia custear-lhe os estudos seminarísticos, e sobretudo uma
doença pulmonar infecciosa, a pneumonia, a qual quase o fez desistir de sua vocação.
Segundo o mesmo, todas estas dificuldades foram vencidas pela fé na Providencia
Divina e a sublime devoção à Virgem Imaculada, a quem consagrara sua vocação e a
quem fervoroso recorria nas horas de angustias. Além da alegria de sua Ordenação
Sacerdotal, ele narrava o fato de haver podido preparar e batizar seu própria Pai,
William Henry Ward, em seu leito de morte.
Embora não nos tenha deixado grandes escritos e obras espirituais, em suas
correspondências tanto dirigidas aos amigos e familiares como aos seus superiores,
sempre iniciava traçando sobre a mesma o sinal da Cruz, no alto da página,
recordando o gesto autográfico de São Francisco de Assis, que a seus escritos
assinava com o Tau. E a todos seja inicialmente, ou a título de conclusão, saudava
franciscanamente com “Paz e bem”; estes são gestos simples que revelam o quanto
nosso querido “Compadre” havia absorvido da Espiritualidade Seráfica. Dele
podemos dizer que foi um autentico franciscano, espalhando durante toda sua vida
somente: “Paz e Bem”; e sempre entoando: “Laus Deo Semper”!
Em 28 de março 1995, através da Lei Municipal no 956/95, Frei Martinho é
agraciado com o título de Cidadão Andrelandense, para a alegria de todos que
aprenderam a admirar sua figura simples, alegre, bondosa e sempre disponível a
servir o Povo de Deus. Dos seus 81 anos de vida e 51 anos de profissão religiosa,
grande parte foi vivida em Andrelândia.
Durante o seu tempo no Seminário de Andrelândia, sempre levou uma vida de
oração, pobreza, simplicidade e humildade. No sentido material, sempre discreto, ele
vivia com o necessário, sem procurar acumular bens supérfluos, cultivando sempre a
generosidade para com os pobres, com os quais frequentemente partilhava o pouco
que tinha.

 

Fiel até o fim no serviço ao Altar do Senhor

Já no final de sua vida, mesmo acometido por doenças cardiovasculares,
nunca o víamos reclamar de sua condição física e muito raramente deixava de
cumprir suas obrigações e compromissos assumidos tanto na Casa de Formação,
quanto na Paróquia Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação.
No dia 20 de junho de 1999, segundo alguns relatos, mesmo não se sentindo
muito bem, não se exime de celebrar a Santa Missa dominical, na Igreja do Rosário,
em Andrelândia.
Durante a dita celebração, Frei Martinho sente uma forte dor no peito, mesmo
sentindo as dores características de um ataque cardíaco, após parar um instante para
tomar um pouco de água, conclui piedosamente a celebração da Santa Missa.
Imediatamente após a celebração é levado as pressas para a Santa Casa de
Misericórdia, onde recebe os primeiros socorros, mas dado a gravidade de seu estado
e o pouco recurso do local, os seus Superiores decidem, mesmo contra a sua vontade,
a sua transferencia para um Hospital na Capital do Rio de Janeiro.
Por ocasião da internação de Frei Martinho, uma comoção geral tomou conta
de toda a cidade de Andrelândia, grandes multidões de pessoas de todas as classes e
etos sociais e religiosos tomaram a avenida próxima da Santa Casa de Misericórdia,
rezando e buscando acompanhar o estado de saúde do mesmo.
No dia 21 de junho, após todos os tramites burocráticos necessários para o
transferimento, Frei Martinho foi levado pelo seu Custodio Provincial de então, Frei
Valdomiro Soares Machado; acompanhado do Secretário Custodial, Frei Ariel
Ribeiro da Costa, em uma ambulância especialmente preparada, para o Hospital da
Venerável Ordem 3a de São Francisco da Penitencia, no auto da Tijuca, sendo
imediatamente acolhido no CTI.
Frei Martinho, mesmo contra a sua vontade, pois já pressentia o fim de sua
peregrinação terrestre, obedientemente, curvou-se pela última vez à vontade de seu
Superior, submetendo-se mesmo em um grave processo de infarto cardíaco a uma
viagem de quatro horas e meia, até o Rio de janeiro.
No dia seguinte, 22 de junho às 18hs e 30min, Frei Martinho não resistindo
mais a sua enfermidade, é acolhido pela Irmã Morte; não, porém, sem antes haver

recebido piedosamente os Sacramentos da Unção dos Infermos e a Santa Eucaristia;
preparando-se devidamente para o grande encontro com o “seu Deus e seu tudo” . Por
ocasião de sua morte, mais uma vez, a cidade de Andrelândia demonstrou-lhe toda a
sua veneração, afeto e gratidão, tributando-lhe justíssimas homenagens e rendendo
louvores a Deus por sua bondade e santidade. Morreu no dia 22 de junho de 1999, no
Rio de Janeiro onde tinha ido, um dia antes para se tratar, já em um gravíssimo
processo de infarto.
Frei Martinho, nosso “Compadre”, está enterrado no lugar que em vida já
tinha escolhido e preparado no pequeno cemitério do Seminário São Francisco de
Assis, em Andrelândia – MG, onde é sempre lembrado pelo amor a Deus e a
comunidade, pelo carinho que sempre demonstrou pelo povo andrelandense,
principalmente pelos mais necessitados. [1]
Frei Valdomiro Soares Machado, o Custodia provincial de então, o qual
acompanhou Frei Martinho nos seus últimos momentos, entre outras coisas, escreveu
no Informativo Custodial dirigido aos frades por ocasião de sua Morte:

Frei Martinho, homem bom, homem de Deus, homem do povo, homem franciscano,
homem conventual, por isso, o sentimento que ouvi de tantos confrades nestes últimos
dias: – Andrelândia não será mais a mesma, ir à casa de formação não será mais a
mesma coisa, pois estará vazia a cadeira de balanço diante da televisão. Estará faltando
as brincadeiras, as piadas, os sustos e as gostosas gargalhadas, estará faltando o
professor, o confessor, o conciliador… Mas com certeza, não nos faltará um intercessor
no céu.
Frei Valdomiro, soube expressar bem o sentimento geral de todos os frades e
também de todo o povo que havia conhecido e acompanhado Frei Martinho em seus
últimos momento: «o sentimento que nos levou ao seminário de Andrelândia neste
dia, para manifestar nosso carinho e orar por ele, é a certeza de que o amor que nos
uniu nesta vida continua nos unindo com Deus. Ele é “Deus dos Vivos e não dos
mortos”! (MC 12,27)».

Frei Ronaldo Gomes, OFMConv.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.