Artigos, Destaques › 09/11/2017

“Eu vou para Deus”

O mistério da morte, em Francisco de Assis, resgata o profundo significado da pobreza almejada e vivida pelo Poverello. Para a o santo, à luz da Páscoa de Cristo, morrer torna-se desejável. Francisco não se prendeu as coisas deste mundo. Mesmo quando alvejado e castigado por enfermidades, não se deixara abater, mas, conservava seu coração na esperança de ser chegada a hora de ver, face a face, o seu Senhor – o mesmo que lhe chamara pelo nome. Para aquele que ama, a morte é irmã porque se faz condutora à plena unidade com Deus, assim, torna-se fecunda – essa era sua visão de fé. Do mesmo modo, Francisco, em vida, conformava-se em morrer para si mesmo, morrer para este mundo e assim chegar àVida, acolhendo o convite que no Evangelho Jesus faz àqueles que querem segui-lo, e recorda aos irmãos a necessária e contínua conversão do coração.

“Louvado sejas, meu Senhor…” assim compusera um Cântico contemplando as maravilhas criadas por Deus e rendia graças à todas suas irmãs criaturas. Francisco compreendeu que a morte é a porta que leva àCristo e torna-se querida por ser a passagem deste mundo para o Pai. O trânsitodo pobrezinho oconduz à morada eterna, onde tendo colocado seus passos nos caminhos de Cristo, parte alegremente o novo habitante do céu.Ademais, a morte do Poverello torna-se um fato marcante e inesquecível para os que com ele lá estavam, como para muitos ainda hoje. “…levantou as mãos para o céu e louvou a Cristo porque livre de tudo, já estava indo ao seu encontro.” (2Cel216-1)

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Francisco apresenta não só o ideal, mas o que rege a vida cristã, onde a morte e a vida não são meras consequências de um destino inevitável, mas antes, objeto de escolha. Despojado em leito nu, sobre terra crua, Francisco faz-se exemplo e sinal de esperança para quem morre e para quem vive.Enquanto seus frades choram sua “tragédia”, Francisco celebra sua Passagem, pois a partir de uma profunda experiência de Deus, compreendera que somente a morte, a irmã-morte, seria capaz de conduzi-lo à Vida. E diz: “Eu vou para Deus…” (2Cl 216-8). Se ousássemos atribuir um “drama da morte”, à Francisco, com certeza não seria como é para muitos – o de separar-se deste mundo, mas sim, o risco de separar-se de Deus. Debilitado e até mesmo cego, Francisco enxergava a luz e a beleza de todas as obras do Criador. Pronto para partir, pede que os irmãos entoem louvores ao Deus Altíssimo, e assim, como num vale de lágrimas, cantam o “Cântico do Irmão Sol”, eao fim, acrescenta:

“Louvado Sejas, meu Senhor,

por nossa irmã a morte corporal,

da qual homem algum pode escapar.

Ai daqueles que morrem em pecados mortais:

bem-aventuradosos que a morte encontra

dentro de Tuas santíssimas vontades,

porque a morte segunda não lhes fará mal.

Louvai e bendizei a meu Senhor,

e rendei-Lhe graçase servi-O com grande humildade”

(Trecho do Cântico do Irmão Sol [CIS  12-14] )

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Postulante Arthur Nunes Almeida

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