Artigos, Destaques › 01/06/2017

Chamados a ser livres para amar

 

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“É do amor de Deus, difundido em nossos corações, por meio do Espírito, que a comunidade religiosa se origina e por ele se constrói como uma verdadeira família reunida em nome do Senhor.” (A vida Fraterna em Comunidade I, 8)

A liberdade e o amor são duas palavras fundamentais quando falamos sobre vocação. Toda vocação nasce de uma relação, de um chamado e de uma missão. Não existe nenhuma vocação que não contenha em si esta experiência de encontro e entrelaçamento entre o querer amoroso de Deus e o vocacionado. Se toda vocação nasce a partir da iniciativa divina, o vocacionado é chamado a reproduzir no mundo os mesmos gestos de amor, misericórdia, acolhida, fraternidade, justiça e paz do próprio Deus. A vocação do Profeta Jeremias deixa bem clara a ação de Deus como anterior a qualquer iniciativa humana e como base fundamental que possibilita ao discípulo a experiência do amor gratuito e livre.

O chamado de Deus a toda pessoa humana é pleno de liberdade e de amor, de modo que, a vocação está imersa na capacidade de reconhecer-se através de gestos concretos de doação de si. Assim, todo vocacionado é chamado a perceber que sua verdadeira identidade encontra-se na disposição corajosa de sua vida e na capacidade de entregá-la por causa do Reino de Deus. Sair de si mesmo constitui um trabalho fundamental para quem deseja seguir a Cristo e ser seu discípulo.

O convite de Jesus é um apelo à experiência da fé. Nesta dinâmica, a vocação cristã é “deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abraão a própria terra pondo-se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicará a estrada para a nova terra” (Mensagem do Papa Francisco pelo dia mundial de oração pelas vocações).

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A confiança discipular conduz cada vocacionado a ir além de si mesmo e assumir no mundo uma vocação específica, seja ela para a vida matrimonial, sacerdotal, religiosa, leiga e missionária. Em toda vocação, a felicidade encontra-se no fazer-se servo, irmão e próximo de cada pessoa e de todas as coisas criadas. Deste modo, a vocação de um Frade Menor Conventual passa por este exercício de ser no mundo, a exemplo de São Francisco de Assis, testemunha de Jesus Cristo como servo de toda humana criatura através da oração, do serviço aos mais necessitados, da fraternidade e do anuncio da paz e do bem em todos os lugares do mundo. Ser Franciscano Menor Conventual é fazer a mesma experiência de Jesus Cristo Crucificado: servir na liberdade por amor.

“O fundamento da Ordem Franciscana Conventual é a profissão religiosa, com a qual os frades se dedicam à vida evangélica de perfeita caridade, não apenas através dos meios comuns de santidade, mas também com o vínculo dos votos de obediência, pobreza e castidade, emitidos publicamente, por meio dos quais se consagram a Deus através do ministério da Igreja, como também através da observância da vida comunitária, da Regra e das Constituições, segundo o espírito da ordem seráfica. Com a profissão dos votos solenes os frades são incorporados definitivamente na Ordem.

A um espírito franciscano, depois, acrescenta-se em sumo grau:

  1. a) Amar com amor indiviso a Deus, sumo bem, cujo desígnio de amor é a recapitulação de todas as coisas em Cristo;
  2. b) Conformar-se ao mesmo Cristo Senhor de quem, como da fonte e cabeça, provém toda a graça, realizando os seus mistérios na própria vida, em união com a Imaculada Mãe de Deus e com toda a Igreja;
  3. c) Amar de igual modo, o próximo, anunciando a promovendo a paz e o reino de Cristo e o recíproco amor fraterno;
  4. d) e por fim, servir a Deus vivendo no mundo em pobreza, humildade, simplicidade e alegria de coração.”

 

Frei Willian Gomes Mendonça, OFMCONV.

(http://www.despertarfranciscano.com/

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