Artigos, Destaques › 08/11/2018

Beata Ângela de Folinho: a vida interior de uma boa alma

Festa Litúrgica: 04 de Janeiro

Muito se conhece sobre a vida interior da beata Ângela de Folinho e quase nada da sua vida, antes da sua conversão a Deus.
De estudos realizados pode-se determinar como data aproximada de nascimento o ano de 1248; porém ignora-se o nome da família. O nome da cidade de origem substitui o nome familiar, Ângela de Folinho.
Parece que perdeu o pai quando menina, enquanto que sua educação materna foi fraca e mundana. Falhou na formação do seu caráter e a expôs a graves perigos de perversão, particular- mente na flor da juventude. Favorecida pela fortuna e por singular graça natural, Lela, como era chamada familiarmente pela mãe, pode contrair matrimônio com um cidadão de prestígio de Folinho; ignora-se o nome dele. Teve filhos aos quais amou com ternura e cercou de afeto sua mãe por quem era adulada e estimulada à vaidade.
Outros particulares deste período não são conhecidos, exceto os que ela fornece na sua narração de retorno a Deus, por volta de 1285, após um passado de culpas e remorsos.
Ela recorda com grande amargura este passado; mas é difícil poder determinar a causa de sua queda. Fala de modo genérico o que não justifica a suposição de quem quis ver no seu desvio moral uma conduta publicamente escandalosa. Dotada de temperamento afetivo, tinha boa inteli- gência e conservava bastante pudor para poder chegar até o escândalo. Isso aparece na sua imen sa vergonha a abrir-se ao seu confessor. Muitas vezes calou seus pecados graves no sacramento da confissão, acrescentando, assim, o sacrilégio às culpas.
Sem dúvida, o bem-estar da família, a superficialidade juvenil, a busca de adulação e de ser importante na sociedade foram ocasião de graves quedas morais, mas não parece ter chegado ao escândalo. Ângela tinha um coração bom e sincero e sensível ao remorso. Deus esperava-a na soleira do seu amor para tirar da sua miséria uma obra-prima de santidade.

Certo dia, foi tomada por um extraordinário medo do inferno e da condenação eterna. Os remorsos da consciência se intensificaram com grande martírio do seu espírito sem dar-lhe tré- gua. Chorou amargamente, mas para sua desgraça, também daquela vez, vencida pela vergonha, calou seus pecados na confissão e continuou a comungar sacrilegamente. Os remorsos aumenta- vam.

O que a sacudiu definitivamente foi um fato novo, para ela decisivo: um nobre de Foli- nho, Pedro Crisci, seguindo a inspiração divina, despojara-se das suas riquezas, para entregar-se a uma vida de perfeita pobreza na Ordem Terceira da Penitência. No início ela gozara da cara dele; depois ficou impressionada pela serenidade espiritual que brotava de sua pessoa e sentiu-se atraída a imitá-lo. Assim, superou as angústias de consciência e adquiriu a paz que tanto admira va naquele homem.
Porém, precisa superar a vergonha. Como fazer? Veio-lhe um pensamento confortador: recorrer a São Francisco, o santo da paz e da alegria. Pediu a S. Francisco que lhe desse a graça de encontrar um bom confessor, com quem pudesse abrir totalmente o coração. Na noite daquele dia São Francisco apareceu-lhe e a encorajou com promessa de ajuda: “Irmã, se tivesses me pedi do antes, já te teria escutado, mas o que me pedes te é concedido”.
Na manhã seguinte, logo cedo, sai de casa e vai à igreja de São Francisco, perto de sua casa. Pensava que ali encontraria o confessor; foi em vão. Retornando à casa, passou pela cate- dral dedicada a São Feliciano; entrou. Era ali que Deus a esperava. Naquele momento estava pre gando um frade franciscano, capelão do bispo. Era frei Arnaldo, seu primo e futuro orientador es piritual. O frade deu-lhe tanta confiança que resolveu confessar-se com ele. Terminada a prega– ção, Angela aproximou-se dele e lhe expressou seu desejo. Desapareceram toda vergonha e re- pugnância; sentia a força de nada esconder. São Francisco dera-lhe a desejada graça.
Nunca mais esqueceu aquele momento; mais tarde dirá: “E fiz uma ampla confissão”.
Foi um renascimento depois de um atormentado passado de morte espiritual. Experimentou uma alegria íntima e inexprimível; alegria misturado ao pranto. Era um pranto amargo e restaurador: dor por ter ofendido a Deus e alegria de tê-lo encontrado na paz da cons ciência.
Frei Paulo Oblak OFM Conv.

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